sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Exibição - NHA FALA



EXIBIÇÂO

O Cinemulher convida para a exibição do filme NHA FALA no dia 14/11/09, às 18 horas, na sede do Centro Cineclubista - Rua Augusta. nº 1239, cj. 13/14.


Sinopse

NHA FALA conta a história de Vita, uma jovem caboverdiana que, ao migrar para Paris com o intuito de estudar, rompe com uma maldição ancestral que proíbe o canto às mulheres de sua família.
Com muito humor e otimismo NHA FALA (minha voz) é uma narrativa contemporânea que evidencia as relações entre África e Europa e põe em pauta o papel social atribuído à mulher africana em contextos culturais diversos nos quais se mesclam o apego às tradições e a necessidade de mudança.
Com trilha sonora do lendário Manu Dibango, o filme ganhou diversos prêmios, entre eles o Prêmio Lanterna Mágica no Festival de Cinema de Veneza.

“NHA FALA é uma parábola sobre a voz. Quando se está proibido de cantar, se está proibido de falar, de se expressar. A fala de Vita é a fala da África. Sempre se fala de um modo negativo da África: suas guerras, sua fome, suas doenças. Quis contar esta história por meio de uma comédia musical para mostrar a vitalidade deste continente. A música é o melhor modo de expressão dos africanos”.
Flora Gomes


Ficha Técnica

Direção: Flora Gomes
Argumento: Flora Gomes e Franck Moisnard
Música : Manu Dibango
Coreografia : Clara Andermatt e Max-Laure Bourjolly
Captação: Cabo Verde e Paris, 2001
Diretor de fotografia : Edgar Moura
Montagem : Dominique Paris
Montagem de som : Frédéric Demolder
Género : ficção (comédia musical)
Distribuidor : Pierre Grise Distribution
Idiomas: Crioulo e Francês
Legendas: Português
Duração: 90 minutos

Convidada

Lucialina Reis é Secretária Geral da Associação Caboverdeana do Brasil. Imigrante caboverdiana radicada no Brasil desde 1963, é membro do GIPEM (Grupo Independente de Pesquisadores da Memória do Grande ABC) e Diretora de Artes e Folclorista do Grupo Cultural Caboverdiano.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Memórias Insubmissas



"Eu tenho um sonho recorrente.
Entro em um elevador
aperto um botão cujo número não consigo ver direito.
O botão desintegra ao meu toque .
A cabine começa a mover-se.
Lentamente...
da direita para a esquerda.
Caio.
Me ergo e olho para baixo.
O chão abre-se como o fundo de uma embalagem de papelão.
Estou solta.
O movimento, agora vertical.
O vento entra por baixo e pressiona meu corpo para o fundo e o topo da cabine.
Flutuo
como uma astronauta.
Visito cenas
de infância
Os cabos se desprendem
O elevador flutua
como eu,
aleatoriamente..."
N.C.

Signos de memória
Mensageira que conecta tempos e espaços diversos
Insubmissa
a participação das mulheres
no período da ditadura
nos "anos de chumbo"
na necessidade de mudança
na busca pelos desaparecidos
na angústia por não poder enterrar seus mortos
na sobrevivência nos porões da ditadura
na luta pela anistia

Mulheres
Substantivo feminino plural

a fala
que escancara
a história oficial
sustentada
pelo que é velado
pelo acordado em reuniões entre "os bons representantes da ordem e da moral"
pelos atos secretos

a voz
que rompe
com anos de opressão
com o terrorismo de Estado
perpetuado
no desrespeito aos direitos humanos
na banalização da violência
na lentidão judiciária
no jogo do empurra-empurra
entre governo e forças armadas
na tortura aos jovens pobres
e seu desejo de ascenção social e consumo
que legitima a ordem social
e aponta para o esvaziamento de ideais

Conjuguemos o verbo "falar" no presente
até ele virar substantivo feminino
acrescentemos
uma locução adjetiva
para aí sim
construir uma
outra história

FALA DE MULHERES



O Cine Mulher participou no dia 29/10 do evento "Memória Insubmissas: Mulheres, Ditaduras militares e Anistia", organizado pela Profa. Dra. Margareth Rago, do Programa de Pós Graduação em História IFCH/UNICAMP.
Memória, como disse Criméia, é uma palavra feminina. Como são femininas anistia, luta e transformação.
Voz, palavra feminina mas, historicamente, usada pelos do sexo masculino.
História, feminina, contada e escrita por homens.
Neste evento as falas sobre passado e presente trataram de busca da verdade e justiça; do feminismo da década de 60, suas influências sobre as mulheres brasileiras e suas transformações.
Foram objetos de reflexão o Estado de Direito, os vários feminismos, a urgência (ainda) de que a história seja contada também pelas mulheres e mais, que a tortura física e psicológica de quem viveu sob o peso dos anos de chumbo ainda estão à flor da pele. Quatro décadas não vendam os olhos para a percepção do aprimoramento das mesmas práticas através do extermínio de pobres - na sua maioria mulheres, crianças e jovens.
Mesmo à flor da pele ou talvez exatamente por isso, muitas mulheres, como Antígona na tragédia grega, lutam contra o Estado pelo direito de localizar, conhecer a história e enterrar seus mortos.